Com que frequência você rumina sobre o que você (ou outras pessoas) fez ou disse?
Permaneça com um pensamento constante (“eu não deveria”, “por que ele e não eu?”, “o que há de errado comigo?”) que traz consigo emoções como raiva, frustração ou desespero.
Esta antiga história Zen o/a ajudará a ter mais consciência sobre como praticar o desapego de pensamentos e emoções.
Essa história é centrada em um mestre que deveria formar dois jovens discípulos. Os dois jovens eram promissores, disciplinados e empenhados, queriam evoluir e também se tornarem mestres. Portanto, dedicavam-se diariamente à sua missão. O mestre procurava ensinar-lhes sobre tudo, mas uma das principais lições era sobre o desapego, porque para a filosofia zen, quando aprendemos a desapegar, encontramos a paz e a felicidade.
Seguindo os ensinamentos do mestre, os jovens procuravam depender cada vez menos das coisas e das pessoas ao seu redor, e mais de si mesmos. Eles vivam de forma simples mas sentiam que seus sacrifícios os ajudavam a evoluir.
Um dia, o mestre pediu aos dois discípulos que o acompanhassem em uma missão para levar alimentos a uma aldeia próxima, que era muito pobre e precisava de ajuda. Os jovens aceitaram na hora, e fizeram de tudo para ajudar, carregando junto ao mestre as pesadas cestas de alimentos. Quando chegaram à aldeia, já começaram a separar os alimentos e dar aos moradores. Faziam isso com motivação, pois ajudar os outros era algo que alegrava seus corações. Quando estava chegando a hora de retornarem, o mestre zen pediu-lhes que dessem um passeio por um bosque próximo do monastério. Como ainda havia sol, eles poderiam apreciam beleza das flores, do céu e dos animais. Além disso, o rio estava muito próximo e eles poderiam matar a sede. Então, os três caminharam em silêncio por um longo tempo, apreciando o sol e o vento em seus rostos, sentindo o aroma das flores e ouvindo o canto dos pássaros. Depois de um tempo, chegaram ao rio e encontraram algo surpreendente: uma linda mulher que lhes sorria.
Os jovens ficaram encantados com a beleza da mulher, que percebendo o quanto impressionou os rapazes, pediu um favor: que lhe ajudassem a atravessar o rio. Um dos discípulos não pensou duas vezes e já se apressou em ajudá-la. Pegou-a no colo e a deixou às margens do rio, apenas depois retornou para seu mestre e companheiro. O mestre olhou profundamente para o jovem e, então, todos prosseguiram o caminho. O outro discípulo estava inconformado, olhava o mestre e olhava seu companheiro, querendo dizer alguma coisa, mas preferiu não falar nada até chegarem ao monastério.
Já haviam se passado dias depois do episódio no rio e ainda assim o mestre não havia se pronunciado sobre o acontecido, mas o discípulo ainda estava desconfortável com a situação. Como era possível que o outro monge tivesse cedido aos encantos da mulher e tivesse preferido ajudá-la primeiro, em vez do mestre? Só de pensar nisso, ele já se enchia de raiva. O outro discípulo estava muito tranquilo. Seguia sua rotina e não percebeu o quanto seu companheiro estava incomodado. Sua relação com o mestre continuava normal e nunca mais se referiu ao episódio com a bela mulher.
Um dia, cansado de ficar quieto, o jovem incomodado procurou o mestre para reclamar: “Como é possível que o senhor não tenha dito nada a ele, que nos deixou plantados à margem do rio enquanto atravessava de forma provocante uma desconhecida? O senhor não vai dizer nada a ele? Por que não reprova seu egoísmo e sua falta de consideração? Por que não o recrimina por ter cedido à tentação?”, disse.
O mestre o olhou em silêncio por um longo tempo. Então, disse uma frase da qual o monge nunca iria se esquecer e que mostra o quanto precisamos colocar nossos ensinamentos em prática:“Seu companheiro pegou a mulher nos braços, ajudou-a a cruzar o rio e a deixou lá. Em contrapartida, você não conseguiu se desprender dele, nem dela, nem do rio, até agora.”
O que você pode começar a fazer para permitir que os eventos passem por você sem se apegar a eles?
Um bom exercício é manter um diário para anotar os acontecimentos, nossas reações emocionais e os pensamentos que tivemos. Para começar a praticar o desapego.
Se você quiser mais ferramentas para praticar esta e outras lições de mindfulness, siga o grupo no Facebook Mindful Living com Giulia Imbastoni Coach, e se você estiver pronto para seguir um programa, você pode participar do próximo webinar gratuito no qual irei lhe oferecer informações sobre o programa Mindfulness Group Coaching.
Uma boa viagem e boas práticas a todos e a todas!
Fonte do artigo: https://osegredo.com.br/cruzar-o-rio-uma-antiga-historia-zen-sobre-a-importancia-do-desapego/amp/
Fonte da foto: https://unsplash.com/